A cozinha alagoana
Posted in Gastronomia on julho 1st, 2009 by Redação – 1 CommentUm pouco de história
No início da colonização, os navios portugueses que aportavam no Nordeste traziam azeite, vinhos, bacalhau e muito mais. Isto permitia aos portugueses manter a cozinha de sua terra natal nos engenhos de açúcar e nas casas-grandes. Mas, com o passar do tempo, as comidas africanas e indígenas foram se impondo.
No século XIX, um forte sentimento nativista varreu o Nordeste e a comida do povo passou a ser mais assimilada pelas casas-grandes.
A tapioca, o mel de engenho com inhame, macaxeira e fruta-pão, os bolos de mandioca e de milho e os pés-de-moleque, foram alguns dos sabores que ganharam espaço na mesa patriarcal.
Ricos ingredientes no mar, lagoas, rios e coqueirais
A culinária alagoana não difere da culinária do Nordeste em geral, porém é muito mais variada em função da riqueza das diversas lagoas costeiras. É um verdadeiro festival de comidas do mar, dos rios e das lagoas.
Há peixes nobres das águas mornas, como a cavala “perna de moça”, sirigado, arabaiana, cioba, os pitus e camarões de água doce.
As carapebas, camurins (robalo), curimãs da lagoa Mundaú, o camarão barba roxa e suas deliciosas fritadas e até o camarão de cueca (tem este nome porque deixa-se a metade da casca), são de sabor inigualável.
Também das lagoas e manguezais são os guaiamuns, o caranguejo uçá e suas deliciosas patinhas servidas como tira-gosto. Agulha frita, Siri do Pilar, Casquinha de Siri de Coral, Siri Capado (serrado ao meio e ensopado com leite de coco); polvo, lagosta e ostra. Taioba e maçunim (Vôngole) são moluscos deliciosos, apanhados com facilidade na coroa de areias.
Mas, o mais alagoano dos pratos é mesmo o Sururu. Sua mais tradicional forma de preparo é o Sururu de Capote, servido na casca. Lavado em muitas águas, é levado ao fogo, onde junta seu próprio caldo, rico em fosfato. Come-se com Pirão coberto. Há ainda o Sururu ensopado e a Fritada de Sururu.
Prato de sucesso é a Caldeirada de frutos do mar: camarão, siri, sururu, lagosta, polvo, patinha de uçá, ostra e maçunim são ensopados juntos no leite de coco. A iguaria é acompanhada de Mingaupitinga, massa de mandioca no leite de coco.
Costumes e Tradições
Nossa feijoada é de feijão mulatinho com muita carne de charque (conhecido em alguns lugares como jabá), lombo de boi, pé de porco fresco e lingüiça. Não usamos tantos defumados como a feijoada carioca. Quando está quase pronta, junta-se as verduras. Muito nossa é a feijoada de peru, feita geralmente no dia seguinte a uma comemoração que tenha peru assado.
Comemos carne-do-sol, lingüiça, bacalhau na brasa, cozido com verdura ou ensopado no coco. Para acompanhar os pratos mais salgados, pirão de leite – o leite é levado à mesa ainda fervendo, para ser derramado sobre a farinha de mandioca que fica escaldada. Junta-se um pouco de manteiga.
O pirão de ovo vale por uma refeição completa. Os pratos de fava ou feijão verde são indispensáveis, principalmente se misturados com charque e carne do sol desfiada e mais farinha de mandioca: é o apreciado “Arrumadinho”.
Frutas e doces
Caju, cajá, cajarana, pitanga, pitomba, mangaba, siriguela, jaca, abacaxi, graviola, carambola, pinha (ata), manga, sapoti, acerola e maracujá são algumas das riquezas de sabores inesquecíveis. Todos muito usados na preparação de sucos, batidas, sorvetes e doces.
Nas regiões do semi-árido, são apreciadíssimos os seus doces de leite e tudo o que se relacione ao leite, pois lá está nossa bacia leiteira com seus maravilhosos queijos do Sertão. Há também muita comida derivada do milho.
A deliciosa Imbuzada sertaneja, onde o fruto imbu (ou umbu), é escaldado em água fervendo e desmanchado no leite com açúcar. É tomado pela manhã em prato fundo. É alimento de sustança.
Doce de tamarindo, de laranja-da-terra, de batata-doce com leite de coco, manjar de coco com goiaba em calda, doce de caju em calda, cristalizado ou caju-ameixa, castanha confeitada, bolo de macaxeira, de mandioca, de maisena, tapioca molhada, beiju chapéu de couro – feito com goma (polvilho) peneirada em camada bem fina sobre a chapa quente, salpicada com coco ralado. Pudim e doce de mangaba, doce de coco e cocada, suspiro, sequilho, malcasado de goma, rosquinha de chocolate e de milho, broa de goma, pão-de-ló torrado…
A lista é longa, mas sempre haverá tempo para se provar todas essas maravilhas da cozinha alagoana.
Baseado no artigo publicado por Maria Rocha Cavalcanti Accioly
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